Os protestos da torcida

O corintiano está triste, é verdade. Mas este é um momento em que precisamos manter a lucidez.
Nada se resolve partindo para uma briga física contra os jogadores. Principalmente os garotos, que até se esforçaram, correram, brigaram. O problema é que o time era limitado no início do campeonato e ainda viu o seu meio-campo titular ser completamente desconfigurado. Veja, por exemplo, a escalação que estreou em 13 de maio:
Felipe, Zelão, Fábio Ferreira, Betão, Edson (E. Ratinho), Marcelo Mattos, Rosinei, Willian, Marcelo Oliveira, Everton Santos (Lulinha) e Finazzi.
Os riscados ou foram embora ou se contundiram. Devemos lembrar também que o elenco tinha alguns bons recursos na reserva, que acabaram sendo aproveitados, mas se perderam por contusões, como o meia Dinelson ou o volante/zagueiro/ala Nilton (o do golaço contra o Santos).
Alguns atletas limitados vieram para resolver, como Ailton, Iran e companhia. Jogadores limitados tendem a ter jogadas óbvias. O Corinthians é um time que se marca muito fácil. Isento, por isso, o trio de zaga titular: atuaram bem durante o campeonato. Não foi, nem de longe, o que derrubou o time, que termina o ano com um número de gols sofridos considerado razoável (50. o vice-campeão Santos tomou 49). O meio-campo é a chave de um time bem estruturado, e o Corinthians não teve este setor durante 2007. Foram testados muitos volantes e muitos garotos na meia, que terão futuro no futebol brasileiro, mas que deveriam ter suas carreiras começadas de outra maneira, com mais cautela.
Como é que se cobrará de um Everton Ribeiro, lateral recém promovido ao time profissional, a responsabilidade que deveria ter sido do Gustavo Nery? (este sim eu ataco: saia do Corinthians porque você não merece vestir esta camisa)
A situação caótica em que o clube chegou deve-se à antiga diretoria, isso todo mundo sabe. E estes jogadores que terminaram o Campeonato contra o Grêmio correram, se esforçaram sim. Devem ser considerados para integrar o elenco de 2008 (talvez não como titulares, mas como opções).
A torcida deve, sim, cobrar da atual diretoria uma postura transparente e que leve o Corinthians de volta à elite, com planejamento. Planejamento envolve discutir com o atual ou futuro técnico a política de contratações (e não colocar o técnico no meio de um time montado às pressas), dar tempo para o trabalho ser realizado e, sobretudo, manter o time por todo um campeonato.
E a torcida deve manter a lucidez, como eu disse no começo. Não é batendo em atletas ou apontando o dedo na cara de alguns que deram o sangue para que pior não acontecesse que se esfria a cabeça. Saibamos diferenciar o jogador que fez chinelinho e o que correu, por mais limitado que fosse. Se perdermos a cabeça e julgarmos mal alguns jogadores, não seremos muito melhores que alguns conselheiros que formam uma corja dentro do Corinthians. Renovação geral e irrestrita, ao meu ver, deveria começar por lá.
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