Papo de Arquibancada: Marcelinho Carioca seria bom HOJE pro Corinthians?
Depois de idas e vindas, títulos e despedidas, ser vilão e ser herói, a pauta essa semana novamente foi Marcelinho Carioca. O gol dele, marcado pelo Santo André, chocou um pouco por alguns detalhes: a falta da comemoração característica, por ser um ídolo da Fiel Torcida, por selar um empate durante a nossa saga. Ao final da partida, a humildade de se dirigir até a torcida do Corinthians para aplaudir a festa, e talvez até se desculpar pelo gol, também não passaram despercebidoas. A atitude sempre foi um traço marcante do atleta que até hoje desperta saudade em algumas alas da torcida Fiel. E afinal de contas, seria Marcelinho Carioca, o pé de anjo, aquela peça que falta no elenco do Corinthians para a saga na série B?
Discuti o assunto com o amigo Yassuda ontem, e trago para vocês nossas opiniões sobre o assunto.
1. Você acha que o Marcelinho Carioca teria chances no Corinthians de hoje? Tem lugar pra ele ali?
Luiz: Cara, dá pra responder agora mesmo: não
Rafael: Hahahaha! Simples e direto?
Luiz: Simples e direto. Na verdade, respeito demais o Marcelinho. Acho que o Corinthians carece de heróis com tantos títulos pelo clube como ele. (…) Mas, e aí temos que concordar, o Marcelinho hoje precisa de um time em que os 10 corram por ele. E o Corinthians não pode jogar desta maneira. Precisa que os 11 corram pelo time como um todo. é por isso que ele não se daria bem aqui. Como outros manos que corriam pouco também não se destacaram, como o Roger.
Rafael: Acha que ele não se destacaria mais que Dentinho, por exemplo, ou Lulinha?
Luiz: Que o Lulinha pode até ser. Que o Dentinho, pouco provável. O Dentinho pode estar meio zicado de gols perdidos, mas se ele aparece livre na cara do gol, é porque o cara corre muito, se movimenta. o Marcelinho, não. Só apareceu na frente do gol por cagada da defesa.
2. Excelente cobrador de faltas, pega bem na bola. Não seria um diferencial interessante?
Rafael: Mas numa falta, o cara mudaria tudo, né? Apesar que Chicão está pegando bem demais na bola.
Luiz: O Corinthians não pode depender disso. O Marcelinho era foda porque batia falta E botava atacante na cara do gol E corria, pelo menos no ataque. Hoje, ele só bate falta.
Rafael: Nada! Você viu no jogo um passe que ele deu? o cara dentro da área, com 2 nossos marcando e a bola foi no peito do atacante. Perfeito.
3. O Corinthians não precisa de um cara experiente em campo?
Rafael: E a historia que ele tem poderia pesar a favor, talvez esteja faltando aquele “orientador” dentro do campo pra ajudar aqueles que “são apenas meninos”?
Luiz: Sei lá. Eu também acho que um cara mais experiente ajuda, mas acredito que oFabinho tenha esta função. E como ele ainda está jogando muito, pode cobrar mesmo os novatos. Quanto aos outros, prefiro a gostosa lembrança do timaço que o Corinthians foi de 98 a 2001 do que vê-los hoje fazendo 10% do que faziam na época.
Rafael: Pode ser. Talvez até acabe ofuscando o passado glorioso por ir mal agora. É algo a considerar também.
4. Conclusão: Marcelinho Carioca e Corinthians é uma história, e não deve ser repetida. Certo?
Luiz: Tudo bem que teve um monte de treta politica na última passagem. Mesmo assim, era nítido que o jogador não tinha lugar em campo.
Rafael: Um cara que fez historia sempre vai ser considerado uma “opção”, fato. Mas é possivel que realmente não tenha mais lugar pra ele ali.
Luiz: Concordo. Mas o time deste ano é bom e vai cumprir com o combinado, que era subir. Não acho que precisemos neste momento de mais do Marcelinho do que sua torcida para que isto aconteça. E que ele volte em 2010 para um último jogo, despedindo-se de sua carreira no centenário do Corinthians.
Rafael: Boa! Bem lembrado e bem colocado. Eu certamente iria gostar de vê-lo jogar nessas condições.
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Quer participar do próximo Papo de Arquibancada? Mande um e-mail pra mim (rafaelcr@gmail.com) que eu te jogo pra conversar conosco sobre nosso Corinthians.
Não para não para não para, vai pra cima Timão!

July 18th, 2008 at 6:40 pm
Dando meus pitacos: o Marcelinho foi importantíssimo para o Corinthians. Mas FOI, sabe? A época gloriosa dele no Timão foi ótima, mas passou. Isso é difícil de “digerirmos” porque era um tempo muito especial, com muitas conquistas, um grupo de mentalidade vencedora em que Marcelinho participou ativa e efetivamente. E acredito que é da natureza humana querer recordar épocas boas, desejar repeti-las, principalmente nos dias atuais, quando o time carece de um “líder” ou de um jogador que “vista-a-camisa-sem-sombra-de-dúvida”, que puxa o time, dá bronca, dá colo, chama a atenção, assume a responsabilidade… Como Neto também foi um dia (e mais). Mas, vejam, Marcelinho teve um período estupendo no Corinthians. Ele aproveitou, nós aproveitamos. Não foi uma daquelas coisas “ah, não sabemos como poderia ter sido”, aqueles casos quando uma das partes recua antes mesmo de tentar. Ele veio, no começo foi difícil, mas depois deslanchou. A maioria dos objetivos foi alcançada. E mesmo com as falhas (como esquecer daquele pênalti perdido, ainda mais que estamos no mês de julho?), na única meta NÃO CONSEGUIDA, o que guardamos na memória são os momentos bons, porque foram muitos. E são eternos. Insistir, hoje, em um jogador que não tem mais o mesmo potencial, é querer “reviver”. Só que só se vive uma vez. Dá saudade, mas atualmente a situação não é mais a mesma. E para que estragarmos algo que permaneceu tão bonito? Guardaremos isso para sempre. É isso que acho bacana: o reconhecimento da Fiel. Mas uma coisa é gratidão, outra completamente diferente é considerá-lo um tipo de “salvador da pátria”. Essas coisas normalmente não dão certo. E corre-se o risco de macular o que de bom restou. Não deixemos acontecer. Agradecer e cantar e lembrar, sim, inventar moda, não.